Zuckerberg está treinando um clone de IA para dar feedback aos 80 mil funcionários da Meta no lugar dele. Meu problema com isso não é tecnológico.
A Meta confirmou que desenvolve uma versão em IA do Mark (com voz, maneirismos, jeito de falar) para interagir com os cerca de 80 mil funcionários. Ou seja: o clone vai responder dúvidas, orientar equipes e dar feedback.
No lugar do CEO.
Meu problema com isso não é tecnológico. Aliás, é semiótico.
Primeiramente, que a comunicação com empregado nunca foi só transmissão de informação.
É transmissão de valor. Quer dizer: “você importa o suficiente pra eu dedicar meu tempo real.”
Porém, quando um clone te dá feedback, a mensagem implícita muda.
Assim, ela deixa de ser “a empresa se importa comigo” e vira “eu sou um problema de escala que precisa ser resolvido.”
E talvez isso não seja um acidente isolado. Talvez seja a ponta mais visível de uma troca silenciosa que já está acontecendo em muitas empresas: substituir presença por presença simulada.
Entretanto, os dados de 2026 reforçam: 56% dos comunicadores internos elegeram comunicação de gestores como tendência número 1 do ano.
Sabe por quê?
Pois confiança não se delega pra um avatar. Ela se constrói olho no olho. Mesmo que seja por uma tela.
IA deveria liberar tempo de líder para conversas humanas mais frequentes, não eliminar a necessidade delas.
A pergunta que deixo pra quem trabalha com cultura, RH, endomarketing e comunicação interna: sua empresa está usando IA pra ampliar a conexão com o time… ou pra substituí-la?
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