Um ano pós New York.

Um texto sobre deixar o coração para trás ou sobre as duas maiores descobertas que eu pude fazer em uma viagem de férias.

2014-11-08 12.38.00
Welcome to the dream

Há exatamente um ano, nesse mesmo horário, eu começava não apenas uma grande aventura, mas ao mesmo tempo a realização do maior sonho que eu já consegui tornar realidade. Um ano atrás, eu estava me dirigindo à Nova York pela primeira vez na vida para passar onze dias.

Ir à Nova York foi, ao mesmo tempo, a melhor e a pior coisa que eu já fiz na vida. Parece uma frase estranha, mas você vai entender o porquê nas próximas linhas. Atente-se ao fato de que eu escrevi ali no primeiro parágrafo de que essa foi a minha primeira vez lá. Eu faço questão de pedir que você preste atenção a isso, pois eu sei que foi apenas o começo de uma história de amor e sei que ainda voltarei muitas vezes.

Essa foi uma viagem de muitas primeiras vezes. Foi a primeira vez que eu entrei em um avião, para começar. Assim como foi beijar na boca pela primeira vez para mim, assim que eu entrei no avião, parecia que eu já fazia aquilo há anos. Não tive a chance de ir a muitos lugares ou de fazer grandes viagens, mas essa foi a viagem da minha vida e sei que sempre será,

Deixe eu lhe dizer: se você ainda não foi à Nova York, você precisa saber que a mágica está por todos os lados nessa cidade. Você respira mágica, junto com algum eventual cheiro de esgoto. Você vira uma esquina e está em um cenário de filme. Você entra em uma biblioteca e vê a história por todos os lados. Você olha em uma vitrine e percebe que coisas com as quais você sempre sonhou estão ali, do lado de dentro do vidro. Você entra em um museu e se choca com a grandiosidade e o respeito que esse país tem com a história e com a preservação de memórias. A sensação permanente é de que o mundo está a apenas um metrô de distância. Você anda na rua e demora a perceber que está estranhamente leve. Leva algum tempo, talvez dias, até você perceber que o que mudou foi que o medo, que te acompanhava o tempo todo, a cada dia enquanto você estava vivendo a sua vida normalmente no Brasil, já não está mais lá.

No meio daquela imensidão de prédios enormes, com vidros espelhados, luzes e pessoas de todas as partes do mundo, você se sente livre, leve e se surpreende com os pontos de natureza que sempre estão ali, escondidos e esperando você dobrar uma esquina para descobri-los. Em Nova York o mundo acontece. E foi ali mesmo que o mundo parou para mim.

Desde bem novinha, eu sempre quis viajar, estudar fora, arranjar qualquer desculpa para estar em outro país. Quando eu finalmente tive a chance de passar poucos dias fora do Brasil, tive a oportunidade de olhar para a minha vida aqui e perceber tantas coisas sobre mim mesma e sobre o dia a dia que eu levo, que fico até sem jeito de contar aqui.

Ir à Nova York foi uma experiência que me transformou. Além de tudo o que eu pude ver e conhecer, eu pude descobrir também um sentimento estranho de finalmente ter encontrado o meu lugar no mundo. De pertencer. Pude me identificar tão profundamente com alguma coisa que só de lembrar, eu fico tonta e com um nó no estômago. Eu poderia tentar descrever a sensação para você, mas eu não acredito que chegaria perto do que eu senti. Era como se eu finalmente tivesse chegado em casa depois de um longo tempo. Como se eu tivesse tirado os sapatos de salto apertados depois de um dia inteiro. Foi esse o alívio que eu senti. Finalmente, eu descobria que havia, sim, um lugar onde eu me sentiria bem, onde eu me sentiria eu mesma, onde eu me encaixaria e poderia chamar de lar. Entre tantas coisas maravilhosas, essa realização foi a melhor coisa que já me aconteceu.

Não poder estar lá é a pior. Eu voltei, mas meu coração ficou entre os táxis amarelos e os Chase Bankings a cada esquina. De lá para cá, desde que eu voltei, nem ao menos um dia se passa sem que eu pense, ao menos uma vez, que eu estou no lugar errado. Coisas maravilhosas aconteceram em minha vida desde então, mesmo. Mas não existe um dia que se vá sem que eu pense que eu estou longe de casa. Descobrir que o lugar que eu chamei de “lar” por tantos anos não é o lugar ao qual eu pertenço é um tanto chocante. Conciliar esses mundos, essa dualidade toda, é muito difícil. E não poder estar no lugar em que o meu coração está é doloroso. E essa será uma dor com a qual terei de lidar sozinha e por um bom tempo.

Feliz New York, feliz saudade.

 

 

 

 

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