Somos todos iguais

 

todos iguais

A verdade é que a gente tem sempre mania de olhar os outros por cima, como se fôssemos melhores do que o resto. Por mais conscientes que sejamos, sempre damos um jeito de fechar os olhos para o nosso pior. Como se não tivéssemos, nós mesmos, doses de maldade convivendo lado a lado com toda nossa vontade de ajudar. Como se não tivéssemos em nós a capacidade de ferir o outro com nossas palavras duras, com nossos olhares cortantes e com nossas mentiras intrépidas. Achamo-nos verdadeiramente especiais, com todos os livros que já lemos, com todos os textos que escrevemos e as poesias que conhecemos. Como se isso nos fizesse mais valorosos, mais destemidos ou menos estúpidos. Não, o outro não presta. Você viu como ele se veste? Ela é cruel e egoísta. E aquele rapaz que roubou o que não lhe pertencia? Você não deveria ter feito isso. Ah, mas ele é um mentiroso! E não somos todos? Cada um de nós tem segredos obscuros, pensamentos impuros e passa a vida tentando mostrar como é perfeito. Como somos bons, como somos virtuosos ou tementes a Deus! Nossas mentiras são sempre mais perdoáveis, nossos demônios são sempre os piores e nossos atos reprováveis apenas aconteceram por extrema necessidade. Ao contrário dos deles, é claro. Desviamos a atenção dos nossos defeitos e erros enquanto apontamos e julgamos tudo e todos a nossa volta. Que belos juízes nos saímos. Que grandes canalhas. Do alto de nossos pedestais, olhamos e censuramos todos que estão abaixo de nós. Todos que não chegam aos nossos pés e não correspondem aos nossos restritos padrões. Repreendemos todos aqueles que – por mais que fechemos os olhos e neguemos com convicção – são exatamente como nós em sua essência. Somos tão maravilhosos, tão sagazes, tão valiosos, tão dignos que não conseguimos sequer enxergar o óbvio. Qual? Somos todos iguais e capazes das mais odiosas ações nessa busca maldita por aquilo que acreditamos que nos isenta e perdoa por todos os deslizes e malfeitos. Nosso objetivo em comum é também nossa desculpa maior: todos nós, sem exceção, buscamos apenas a felicidade.

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